hades

Hades, Sheól, Poço, Lago de Fogo

Nas traduções da Bíblia, é comum vermos a palavra “inferno” sendo adotada como tradução de vários diferentes termos no original (seja em hebraico, aramaico ou grego), tais como: Hades, Sheól e Lago de Fogo. O Poço sem fundo ou Abismo normalmente não é traduzido como inferno mas é certamente um local de prisão e tormento.

O objetivo deste artigo é explicar a diferença entre esses termos, já que, em outras postagens deste blog, eles podem ser usados.

Hades ou Sheól ou Lugar dos Mortos

Muitos confundem o Hades (do grego, ou Sheól em hebraico) com o Lago de Fogo, pelo fato de terem lido a tradução “inferno”, que é indevida, para Hades ou Sheól, o que é razão de muitos mal-entendidos.

O Hades (ou Sheol), também conhecido como o ‘Lugar dos Mortos’ ou a ‘Mansão dos Mortos’, era o lugar para o qual todos os mortos iam, antes da crucificação de Cristo. É uma interpretação bastante comum que esse lugar tinha duas divisões isoladas uma da outra: um para os ímpios, não-salvos — o compartimento ‘geral’ — , e outro para os justos / justificados —  a parte ‘boa’ ou o ‘seio de Abraão’. A passagem que embasa esse entendimento é o relato de Jesus no capítulo 16 do Evangelho de Lucas. Esse famoso relato fala sobre um rico avarento e um mendigo justo, os quais morreram, e Jesus falou sobre a vida deles após a morte. Lázaro, o mendigo, estava em paz, no conforto do ‘seio de Abraão’ (parte boa do Hades), enquanto o rico ficou em um local de sofrimento e pediu que Abraão enviasse Lázaro para esfriar a sua língua; mas Abraão respondeu que isso era impossível, por haver um abismo intransponível entre eles. O rico, então, pediu que Abraão permitisse que Lázaro voltasse para avisar aos irmãos dele, a fim de que não fossem também para aquele lugar de sofrimento. Ele pensava que, se Lázaro ressuscitasse, os seus irmãos descrentes creriam, e isso ajudaria a impedir que eles também fossem para o mesmo local em que o rico avarento estava. Mas Abraão respondeu dizendo que, se eles não creram em Moisés e nos profetas, também não acreditariam se alguém ressurgisse de entre os mortos. Aliás, não muito tempo depois, conforme registrado no capítulo 11 do Evangelho de João, Jesus ressuscitou outro Lázaro e poucos acreditaram.

Eis o relato sobre o rico e do Lázaro, no capítulo 16 de Lucas:

Havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho fino e vivia no luxo todos os dias. Diante do seu portão fora deixado um mendigo chamado Lázaro, coberto de chagas; este ansiava comer o que caía da mesa do rico. Em vez disso, os cães vinham lamber as suas feridas. Chegou o dia em que o mendigo morreu, e os anjos o levaram para junto de Abraão. O rico também morreu e foi sepultado.
No Hades, onde estava sendo atormentado, ele olhou para cima e viu Abraão de longe, com Lázaro ao seu lado. Então, chamou-o: ‘Pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo na água e refresque a minha língua, porque estou sofrendo muito neste fogo’.
Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembre-se de que durante a sua vida você recebeu coisas boas, enquanto que Lázaro recebeu coisas más. Agora, porém, ele está sendo consolado aqui e você está em sofrimento. E além disso, entre vocês e nós há um grande abismo, de forma que os que desejam passar do nosso lado para o seu, ou do seu lado para o nosso, não conseguem’.
“Ele respondeu: ‘Então eu lhe suplico, pai: manda Lázaro ir à casa de meu pai,
pois tenho cinco irmãos. Deixa que ele os avise, a fim de que eles não venham também para este lugar de tormento’.
“Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam’.
” ‘Não, pai Abraão’, disse ele, ‘mas se alguém dentre os mortos fosse até eles, eles se arrependeriam’.
“Abraão respondeu: ‘Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos’ “. Lucas 16:19-31 (tradução da Nova Versão Internacional – NVI)

Observação: em várias outras traduções, a palavra “Hades” no verso 23 aparece traduzida como “inferno”. No original em grego, consta a palavra grega ‘Hades’ (da concordância Strong com código ‘G86‘), ou seja, o ‘Lugar dos Mortos’.

O relato sobre o rico e o Lázaro em Lucas 16 seria uma parábola?

Os ‘aniquilacionistas’ (que acreditam que entre a morte do corpo e a ressurreição, a alma da pessoa está totalmente inconsciente e que, assim como o seu corpo, estaria “dormindo”) afirmam que essa história seria fictícia —  apenas uma parábola — , pois ela claramente contraria a ideia de “sono da alma”, por eles defendida. Ou seja, uma vez que esse relato bíblico mostra tanto o rico como Lázaro conscientes depois da morte física, a solução encontrada por aniquilacionistas é negar que a história contatada por Cristo seja real. Existem, porém, muitas boas razões para acreditar que a história do rico e Lázaro não é uma parábola, mas o relato de um fato real:

  • Muitas histórias de Jesus são explicitamente designadas como parábolas, como a do semeador e a semente (Lucas 8:4), o próspero fazendeiro (Lucas 12:16), a figueira estéril (Lucas 13:6), a festa de casamento (Lucas 14:7), o fariseu e o publicano (Lucas 18:9-14), e muitas outras, mas a história do rico e Lázaro, não.
  • A história do homem rico e Lázaro usa o nome real de duas pessoas (Lázaro e Abraão), o que a diferencia das outras histórias chamadas de parábolas, nas quais os personagens não são nomeados.
  • Esta história não parece se enquadrar na definição de uma parábola, a qual é uma apresentação de uma verdade espiritual usando uma ilustração terrena. A história do homem rico e Lázaro apresenta a verdade espiritual diretamente, sem metáfora terrena. O cenário para a maior parte da história é a vida após a morte, ao contrário das parábolas, que se manifestam em contextos na Terra.

Mesmo que a história do rico e o Lázaro no Hades fosse uma parábola, Jesus claramente a usou para ensinar que, após a morte, tanto os justos como os injustos permanecem conscientes, seja no Hades ou no céu, e que existe um julgamento. Também ficou claro que, no Hades, eles não estavam no mesmo compartimento ou divisão.

Dois compartimentos no Hades

Pela razão acima exposta, acreditamos que esses compartimentos de fato existiam  (Mateus 11:23; 16:18; Lucas 10:15; 16:23; Atos 2:27:31). Retomando: todos os falecidos iam para o Hades (ou Sheól), para aguardar o dia da sua respectiva ressurreição e julgamento. Alguns seriam ressuscitados para a vida eterna na presença de Deus, por terem sido considerado justos, e outros serão ressuscitados no futuro, para o Juízo Final.

O Hades, portanto, é um lugar temporário onde os mortos aguardam a ressurreição e o juízo.

Logo após a sua morte, Jesus foi vivificado no espírito (antes de sua ressurreição corporal) e desceu ao Hades, onde falou sobre a sua obra de salvação e em seguida levou consigo todos os crentes (‘justificados’) para o céu, uma vez que o acesso ao céu para todos os que estão ‘em Cristo’ havia sido aberto, o que foi simbolizado quando o véu do Templo se rasgou de alto a baixo.

Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito,
no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão.” 1 Pedro 3:18,19

Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens.
Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até às regiões inferiores da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas.” Efésios 4:8-10

As pessoas de bom coração, porém, descrentes, que estavam na parte boa do Hades, não foram levadas por Cristo para o céu. Como descrentes, ela aguardam o dia do Juízo Final, quando haverá a ressurreição geral dos mortos (da parte boa ou ruim do Hades), e aqueles que não estiverem no Livro da Vida serão lançados no Lago de Fogo.

Os mortos crentes não estão mais no compartimento dos justos do Hades/Sheól, nem nenhum crente que vem a falecer vai mais para lá.

Os descrentes continuam indo para o Hades (seja para a parte boa ou a parte ruim, conforme o que tiverem feito em vida), quando morrem, onde estão conscientes e aguardam a sua ressurreição e julgamento, no dia do Juízo Final —  o julgamento do ‘Grande Trono Branco’, descrito em Apocalipse 20:11-15.

O Lago de Fogo

O Lago de Fogo, que pode e deve ser chamado de inferno, que queimará eternamente com fogo e enxofre, é o lugar de punição que foi criado para Satanás e os anjos que se rebelaram e o seguiram. O Lago de Fogo não foi, originalmente, criado para os homens.

Então dirá (…): Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.” Mateus 25:41

Contudo, os homens que praticam a iniquidade e que recusam a salvação oferecida por Cristo, ou optarem por seguir e adorar a Satanás, terão escolhido este mesmo lugar como destino. O Lago de Fogo hoje, está vazio — lá, não há, ainda, absolutamente ninguém. Todos os descrentes ainda estão no Hades / Sheol.

Logo após a Segunda Vinda visível de Cristo à Terra, ao final da batalha do Armagedom, os primeiros a serem lançados no Lago de Fogo serão o ‘Anticristo’, o Falso Profeta e o exército que terá se juntado a eles na tentativa de destruir a Cristo em Sua vinda, antes de iniciar o Seu Reino milenar. Obviamente, o Anticristo e os seus seguidores serão derrotados. São eles que irão ‘inaugurar’ o Lago de Fogo — o inferno. Nem mesmo o ‘Dragão’ (Satanás) irá para o Lago de Fogo no início do Milênio. Satanás será preso e acorrentado no Poço / Abismo (um outro local). Por estar preso, Satanás não conseguirá influenciar ou tentar os seres humanos mortais que estarão na Terra durante o Reino Milenar de Cristo, e será novamente solto somente ao fim do Milênio, para cumprir determinado propósito que adiante explicaremos. Logo em seguida ao cumprimento desse propósito, Satanás será lançado no Lago de Fogo.

O Poço sem fundo / Abismo

O Poço ou Abismo é , onde os anjos caídos que estavam na Terra na época de Noé, e que coabitaram com mulheres humanas, gerando a raça híbrida e perversa dos nefilins, ficaram presos desde o grande Dilúvio. Eles estão presos para, no futuro, serem libertados para determinada finalidade (os ‘gafanhotos’ de Apocalipse 9, sobre o que você poderá ler mais neste link, caso tenha interesse), e depois serão levados a julgamento.

Outros termos:

Geena

Geena (do hebraico גֵיא בֶן-הִנֹּם, transl. Geh Ben-Hinom, literalmente “Vale do Filho de Hinom”) é um vale em torno da Cidade Antiga de Jerusalém, e que veio a tornar-se um depósito onde o lixo era incinerado.

Esta palavra grega surge doze vezes no texto bíblico, nos seguintes locais: Mateus 5:22, Mateus 5:29, Mateus 5:30; Mateus 10:28; Mateus 18:9; Mateus 23:15, Mateus 23:33
Marcos 9:43, Marcos 9:45, Marcos 9:47, Lucas 12:5 e Tiago 3:6. Geena refere-se ao vale de Hinom, fora das muralhas de Jerusalém. Este vale era usado como depósito de lixo, onde se lançavam os cadáveres de pessoas que eram consideradas indignas, restos de animais, e toda outra espécie de imundície. Usava-se enxofre para manter o fogo aceso e queimar o lixo. Jesus usou este vale como símbolo da destruição eterna. O Geena é comumente associado como uma metáfora do Lago de Fogo.

Tártaro

O ‘Tártaro’ (do grego Τάρταρος, transliterado como Tártaros) provém da mitologia grega, personificando o “mundo inferior”. Nele estariam as cavernas e grutas mais profundas e os cantos mais terríveis do ‘reino’ de Hades, o mundo dos mortos, para onde todos os inimigos do ‘Olimpo’ seriam enviados.

Na Ilíada, de Homero, representa-se este mitológico Tártaro como prisão subterrânea ‘tão abaixo do Hades quanto a terra é do céu’. Segundo a mitologia, nele seriam aprisionados somente os ‘deuses’ inferiores, enquanto que os seres humanos, são lançados no submundo governado por ‘Hades’.

Na Bíblia, o único local em que essa palavra e encontrada é na segunda carta de Pedro, sobre o castigo dos anjos caídos:

Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno [“ταρταρόω” ou “tartarus”, palavra grega G5020 na concordância bíblica de Strong], os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo; e não poupou o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo de ímpios.” 2 Pedro 2:4,5

Portanto, o Tártaro seria um outro nome para o equivalente ao Poço sem fundo / Abismo, que na vasta maioria das traduções da Bíblia foi traduzido como “inferno”, nesta passagem.

“Purgatório”

A doutrina do “purgatório” foi criada pela Igreja Católica Romana, e não tem nenhum respaldo bíblico. Segundo essa doutrina, inventada por mentes humanas e jamais mencionada nas escrituras, nem mesmo de forma indireta. Segundo o catecismo romano, seria um “lugar ou condição de punição temporal para aqueles que, deixando esta vida na graça de Deus, não estão inteiramente livres de erros veniais, ou não pagaram completamente a satisfação devida pelas suas transgressões”. Para resumir, na teologia católica, o purgatório seria um lugar para onde uma alma cristã vai depois da morte, a fim de ser purificada dos pecados que não foram completamente pagos durante a vida.

Jesus morreu para pagar por todos os nossos pecados (Romanos 5:8). Isaías 53:5 declara: “Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”. Jesus sofreu pelos nossos pecados para que nós fossemos livrados do sofrimento. Dizer que nós também devemos sofrer pelos nossos pecados é dizer que o sofrimento de Jesus teria sido insuficiente. Dizer que nós devemos pagar pelos nossos pecados nos purificando no purgatório é negar a suficiência do pagamento feito pelo sacrifício de Jesus (I João 2:2). A idéia de que nós temos que sofrer pelos nossos pecados após a morte é contrário a tudo o que a Bíblia diz sobre a salvação.

A principal passagem das Escrituras que os católicos apontam como evidência do purgatório é I Coríntios 3:15, que diz: “Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo”. A passagem (I Coríntios 3:15) usa uma ilustração das coisas passando pelo fogo como uma descrição das obras dos crentes sendo julgadas, no evento conhecido como o ‘Tribunal de Cristo’, em que as obras dos crentes salvos (e não os próprios crentes) serão julgadas, no céu. Se as nossas obras forem de boa qualidade, “ouro, prata, pedras preciosas”, elas irão passar ilesas através do fogo, e nós seremos recompensados por elas. Se as nossas obras forem de má qualidade, “madeira, feno, palha”, elas serão consumidas pelo fogo, e não haverá recompensa. A passagem não diz que os crentes passam pelo fogo, mas que as suas obras passam. I Coríntios 3:15 se refere ao crente sendo “salvo, todavia, como que através do fogo”, não “sendo purificado pelo fogo”.

O “purgatório”, como tantos outros dogmas católicos, é baseado na má compreensão da natureza do sacrifício de Cristo. Os católicos vêem a Missa/Eucaristia como uma reapresentação do sacrifício de Cristo porque eles falham em entender que o sacrifício de Jesus, de uma vez por todas, foi absolutamente e perfeitamente suficiente (Hebreus 7:27). Os católicos vêem obras merecedoras de mérito como uma contribuição para a salvação devido a uma falha em reconhecer que o pagamento feito pelo sacrifício de Jesus não necessita de “contribuições” adicionais (Efésios 2:8-9). Da mesma forma, o purgatório é entendido pelos católicos como um lugar de purificação em preparação para o Céu porque eles não reconhecem que, por causa do sacrifício de Jesus, nós já somos purificados, declarados justos, perdoados, redimidos, reconciliados e santificados.

A própria idéia do purgatório, e as doutrinas que freqüentemente estão associadas a ela (orações pelos mortos, indulgências, obras a favor dos mortos, etc.) falha em reconhecer que a morte de Jesus foi suficiente para pagar a pena de TODOS os nossos pecados. Jesus, que é Deus encarnado (João 1:1,14), pagou um preço infinito pelo nosso pecado. Jesus morreu pelos nossos pecados (I Coríntios 15:3). Jesus é o pagamento pelos nossos pecados (I João 2:2). Limitar o sacrifício de Jesus como um pagamento pelo pecado original, ou pelos pecados cometidos antes da salvação, é um ataque à Pessoa e à Obra de Jesus Cristo. Se nós devemos em qualquer sentido pagar ou sofrer por causa dos nossos pecados, isso indica que a morte de Jesus não foi perfeita, completa, e um sacrifício suficiente.

Estado pós-morte

Para os crentes, o estado pós-morte é estar “ausente do corpo e habitando com o Senhor”.

Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor; visto que andamos por fé e não pelo que vemos. Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor.” 2 Coríntios 5:6-8

Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher.
Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne.” Filipenses 1:21-24

Perceba que essas passagens não dizem ‘ausente do corpo, no purgatório com fogo purificador’. Não diz, porque, devido à perfeição, completude e suficiência do sacrifício de Jesus, estaremos imediatamente na presença do Senhor após a morte, completamente purificados, livres do pecado e finalmente santificados, apenas aguardando o dia da ressurreição do corpo dos crentes para recebermos os nossos corpos imortais e glorificados, o que acontecerá em um evento conjunto. A série de postagens sobre as Colheitas de Almas e as Festas do Senhor falam em mais profundidade sobre esse assunto. Outra postagem que fala sobre a ressurreição dos mortos em Cristo pode ser lida neste link.

Em resumo:

Hades / Sheól / Lugar dos Mortos: lugar onde as almas de todos os seres humanos falecidos e descrentes, são enviadas, para aguardarem o dia do Juízo Final. Todos, em algum momento, serão ressuscitados. a) Os crentes justificados, quando Cristo morreu e foi buscá-los, foram levados para o céu, porque o acesso ao céu foi aberto após a morte de Cristo; b) Os descrentes falecidos continuam no Hades (seja no lado bom ou no lado ruim, conforme as suas obras), e aguardam a ressurreição do último dia, para o Juízo Final. Após a crucificação de Jesus, quando Deus aceitou o sacrifício feito pelo verdadeiro e definitivo Cordeiro pascal — Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus — Cristo desceu ao Hades (não ao “inferno”, o que é uma tradução incorreta), resgatou a maior parte dos crentes falecidos até então e os levou para o céu, com Ele. A partir de então, somente os mortos não salvos aguardam o dia julgamento final no Hades (o Lugar dos Mortos). Os salvos / justificados, ao morrerem, passaram, desde a morte de Cristo, a irem diretamente para o céu, onde estão conscientes e em paz, mas ainda aguardando o dia em que Cristo ressuscitará os crentes e lhes dará corpos imortais e glorificados. Os descrentes, quando falecem, vão para o Hades.

Poço/Abismo: prisão exclusiva de anjos caídos (e futuramente, a prisão temporária de Satanás), provavelmente no subsolo profundo ou regiões abissais do planeta Terra. Logo após a batalha do Armagedom, Satanás também será preso no Poço/Abismo, até o final do Milênio, quando será solto por um breve tempo.

Lago de Fogo: local criado para ser o destino eterno de Satanás, dos seus anjos e de todos os que o adoraram ou o seguiram e não se arrependeram. É o inferno eterno propriamente dito —  no qual, hoje, ainda não há ninguém.

Tártaro: palavra da mitologia grega equivalente ao Poço sem fundo /Abismo, local de prisão e punição de anjos caídos. É usada uma única vez, na Bíblia, e tem esse sentido.

Geena: refere-se ao vale de Hinom, fora das muralhas de Jerusalém. Este local era usado como como depósito de lixo para ser incinerado, e sobe ele, Jesus fez referência como uma metáfora da destruição eterna e ao Lago de Fogo.

Purgatório“: doutrina do catolicismo romano totalmente equivocada, sem nenhum fundamento bíblico, como sendo um local temporário em que os crentes ficariam para sofrer e assim pagar pecados que não tenham sido cobertos pelo sacrifício de Cristo, na cruz.

Jesus falou do destino eterno no inferno inúmeras vezes. Se isto não fosse verdade, nem Ele nem os Seus apóstolos teriam falado tanto sobre esse tema, e nem teria sido preciso Jesus vir à Terra para morrer na cruz para oferecer salvação à humanidade pecadora, que não tem meios para se salvar sozinha.

O castigo dos ímpios mortos no inferno — o Lago de Fogo — é descrito em toda a Escritura como “fogo eterno” (Mateus 25:41), “fogo que nunca se apagará” (Mateus 3:12), “vergonha e desprezo eterno” (Daniel 12:2), um lugar “onde… o fogo nunca se apaga” (Marcos 9:44-49), um lugar de “tormentas” e “chamas” (Lucas 16:23-24), “eterna perdição” (2 Tessalonicenses 1:9), um lugar de tormento com “fogo e enxofre” onde “a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre” (Apocalipse 14:10-11) e um “lago de fogo e enxofre” onde os ímpios “de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (Apocalipse 20:10).

Embora a Bíblia fale do inferno em diversos locais, é preciso ter cuidado com traduções que usam a palavra ‘inferno’ quando, no original, o termo é outra palavra (por exemplo, Hades ou Sheól ou Tártaro), para não gerar mal-entendidos. Como exemplo, há quem entenda que Cristo teria ido ao inferno “para sofrer ainda mais”, o que não tem nenhum amparo bíblico e é uma blasfêmia. O que a Bíblia diz é que Cristo foi ao Hades, resgatar as pessoas de fé (crentes) que lá estavam. Em outra passagem, sabemos que Ele também fez uma proclamação vitoriosa no Tártaro. A confusão sobre essa passagem acontece por causa da tradução indevida da palavra Hades.

Para concluir, compartilhamos uma frase dita por Jesus:

Não temam os que matam o corpo, mas não podem matar a alma; pelo contrário, temam aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.” Mateus 10:28

Aqueles que creem e colocam a sua confiança em Jesus Cristo, são selados com o Espírito Santo e têm os seus nomes inscritos no livro da vida do Cordeiro, e não devem temer o inferno, em nenhuma das palavras que possam ser traduzidas como tal. Pela fé em Cristo e em Seu sangue derramado na cruz por nossos pecados, temos a segurança e a certeza de nossa salvação. Confira a nossa página da Salvação.

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